sábado, 13 abr, 2024

Saúde

Todo câncer é maligno, mas não é o que você está pensando

*Por Rafael Augusto Souza

 

Se você nunca perguntou, pelo menos já pensou ou ouviu alguém perguntar: “Mas esse câncer é maligno?” E não importa qual seja o caso, a resposta não muda. Porque se é câncer, é maligno. Porque todo câncer é maligno. E não tem nada de muito assustador nisso. O que te assusta é o seu conceito errado do que vem a ser “malignidade” (quando estamos falando de saúde, especialmente de neoplasias).

No imaginário popular, “maligno” se encaixa em 2 situações: ou o tumor é muito agressivo (“daqueles que pode matar rápido”, sabe?!), ou o tumor tem metástases (o famoso “já espalhou”). Eu não quero desmentir um conceito tão antigo quanto “a voz do povo é a voz de Deus”, mas nesse caso esses conceitos estão imprecisos. Poderia
até dizer que estão errados.

Um “tumor” pode ser benigno ou pode ser maligno (e aqui vou usar de licença poética para a expressão “tumor” de forma mais ampla). Quando o tumor é maligno nós o chamamos de CÂNCER.

 

Rafael

 

Em Oncologia, “Malignidade” tem a ver com a capacidade que um tumor tem de crescer invadindo um órgão vizinho ou um órgão à distância (a metástase). E é só isso.

As palavras-chave aqui são “capacidade” e “invasão”.

Dizer que o tumor é maligno não traduz a agressividade ou o estágio do câncer. Existem tumores malignos com diferentes graus de agressividade e em diferentes estágios.

“E por que saber isso?”

Porque muitas pessoas checam resultados de biópsias e correm para o Google para entender. Lá esse pessoal encontra coisas como “carcinoma é uma neoplasia MALIGNA…” e pronto: o desespero toma conta. A pessoa já acha que está sentenciada à morte. Mas coisa não é por aí.

Todo câncer é uma neoplasia maligna. E a única coisa que isso traduz é: você precisa de atendimento médico com um especialista; e quanto antes essa avaliação, melhor.

 

*O doutor Rafael Augusto Souza é cirurgião oncológico, formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização feita na residência médica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), atualmente trabalha nos Hospitais Barra D’Or e Rio Barra (Rede D’Or), no Rio de Janeiro.

 

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