Claudio Fernandes e Agência Reuters
Pesquisas de intenção de voto seguem dando vantagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro na corrida para a presidência da república. Assim como aconteceu no primeiro turno, as empresas continuam apontando ampla vantagem para o petista. Nesta quarta, o candidato da oposição oscilou 1 ponto percentual para cima e agora soma 49% das intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial contra 41% do candidato à reeleição, de acordo com a Genial/Quaest.
Vale lembrar que na primeira fase das eleições presidenciais, esta e outras empresas erraram de maneira grosseira em suas pesquisas. Praticamente todas elas previram vitória de Lula no primeiro turno. Além disso, erraram por uma margem acima da aceitável (margem de erro) no percentual de votos para Bolsonaro.
Os números anunciados nesta quinta apontam 4% de indecisos, ante 7% na sondagem anterior, enquanto 6% disseram que votarão em branco ou nulo ou que não irão votar, em comparação aos 4% anteriores. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.
Em votos válidos, que não contam os brancos e nulos e os indecisos da pesquisa, Lula tem 54% contra 46% de Bolsonaro, de acordo com a pesquisa.
Quando esses dados são ponderados em relação ao grupo de eleitores com maior probabilidade de comparecer no dia da votação (modelo chamado de “likely voter”), Lula aparece com 53% dos votos válidos contra 47% de Bolsonaro, segundo nota divulgada pela Quaest. Na semana passada, por esse modelo, o placar estava em 54% a 46%.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explicou no Twitter que esse tipo de modelo já é utilizado por institutos norte-americanos há bastante tempo. Ele argumentou que muitas pessoas afirmam que irão votar, mas acabam não votando.
“É preciso criar um modelo que pondera o resultado pelas chances de cada indivíduo ir votar. O nosso modelo de likely voter foi construído a partir de dados do comparecimento real no 1º turno da eleição de 2022 e de pesquisas anteriores da Quaest”, disse Nunes no Twitter.
De acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira, 93% dos eleitores de Lula disseram que seu voto é definitivo, ante 92% uma semana atrás. No caso de Bolsonaro, se repetiu a taxa de 94%.
Sobre os apoios conquistados pelos dois candidatos, 14% dos entrevistados disseram que eles fazem querer votar mais no petista, enquanto 6% afirmaram o mesmo sobre o atual presidente. Já 77% dos entrevistados disseram que os apoios não influenciaram na decisão de voto.
Após a votação do primeiro turno, Lula garantiu o apoio da senadora Simone Tebet (MDB), que ficou em terceiro lugar na primeira votação; do PDT, de Ciro Gomes, ainda que o quarto colocado na disputa tenha se limitado apenas a acatar o apoio do partido; e de outras personalidades políticas e econômicas, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.
Já Bolsonaro conquistou o apoio do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) –o único dos três maiores colégios eleitorais do país onde Lula venceu no primeiro turno– e de outros governadores e prefeitos, apostando mais na capilaridade desses aliados, assim como na de parlamentares eleitos para o novo Congresso.
No tópico rejeição, 50% disseram que não votariam em Bolsonaro, mesma taxa da semana passada, enquanto 42% disseram que não votariam em Lula, ante 41%.
A pesquisa também apontou que 39% dos entrevistados avaliam o governo Bolsonaro de forma negativa, contra 38% uma semana atrás, ao passo que 33% o veem positivamente, ante 35% antes. Para 26% o governo é regular, ante 25% há uma semana.
O levantamento do instituto Quaest contratado pela corretora Genial Investimentos ouviu 2.000 pessoas em entrevistas presenciais entre segunda e quarta-feira.