sábado, 13 abr, 2024

Sunak está em Belfast para vender novo acordo do Brexit

Primeiro-ministro do Reino Unido
Liam McBurney/Pool via REUTERS

Da Agência Reuters

 

O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, estava na Irlanda do Norte nesta terça-feira para vender seu novo acordo com a União Europeia para facilitar o comércio pós-Brexit, uma medida que ele espera que finalmente quebre o impasse político na província.

Sunak está tentando garantir o apoio de todos os lados na Irlanda do Norte para que ele possa restabelecer as relações com a UE — e os Estados Unidos — sem irritar os parlamentares de seu próprio partido e em Belfast que são mais comprometidos com o Brexit.

Seu acordo busca resolver as tensões causadas pelo protocolo da Irlanda do Norte, um acordo complexo que estabeleceu regras comerciais para a região governada pelo Reino Unido que Londres concordou antes da saída da UE em 2020, mas agora diz que são impraticáveis.

A fim de manter aberta a fronteira politicamente sensível com a Irlanda, membro da UE, a Irlanda do Norte permaneceu no mercado único de mercadorias da UE, aumentando a perspectiva de que lentamente divergiria do resto do Reino Unido, o que alimenta temores nas comunidades unionistas.

Sunak disse que seu acordo, o Windsor Framework, vai fortalecer a união, acabar com as regras que afetavam tudo, desde a importação de salsichas a sanduíches, e dar aos parlamentares mais poder de decisão sobre as regras e regulamentos que recebem de Bruxelas.

“Essa é uma conquista enorme, incrivelmente poderosa. E espero que as pessoas possam ver isso”, disse ele à BBC Radio.

O sucesso do acordo provavelmente dependerá de convencer o Partido Unionista Democrático (DUP) a encerrar seu boicote aos acordos de compartilhamento de poder da Irlanda do Norte. Estes foram fundamentais para o acordo de paz de 1998, que acabou em grande parte com três décadas de violência sectária e política na Irlanda do Norte.

O líder do DUP, Jeffrey Donaldson, disse que sua primeira leitura do acordo sugere que ele daria à assembleia regional de Stormont o poder de rejeitar as regras da UE que não deseja, fornecendo alguma garantia sobre sua principal preocupação com a soberania.

Mas é provável que o partido leve algum tempo antes de chegar a uma conclusão, enquanto membros do European Research Group, que reúne parlamentares conservadores pró-Brexit, trabalharão com advogados para examinar os detalhes antes de dar um veredicto.

Questionado se imporia as novas regras à Irlanda do Norte sem o apoio do DUP, Sunak disse que não se tratava de “qualquer partido político”.

“Trata-se do que é melhor para as pessoas, comunidades e empresas da Irlanda do Norte e este acordo fará uma diferença extremamente positiva para eles”, afirmou.

A medida é uma aposta de alto risco para Sunak, com apenas quatro meses no cargo. A maioria dos jornais britânicos elogiou seu feito de conseguir que a UE suavizasse sua posição, ao mesmo tempo em que dizem que o sucesso só viria com a retomada da assembleia de compartilhamento de poder na Irlanda do Norte.

Uma vitória fortaleceria o domínio de Sunak sobre seu Partido Conservador e permitiria que ele superasse a questão mais espinhosa de sua agenda enquanto busca alcançar o Partido Trabalhista, de oposição, agora bem à frente nas pesquisas de opinião, antes de uma eleição nacional prevista para 2024.

 

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