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quinta-feira, 25 jul, 2024

OPINIÃO: Investimentos Árabes no Brasil

OPINIÃO
Ministério da Agricultura e do Abastecimento

 

Por Vítor Monteiro*

 

O Brasil é considerado um dos maiores produtores agropecuários no mundo, se destacando na soja (estimativa de 163,5 milhões de toneladas de soja, um aumento de 3,7% aos níveis de 2022), na laranja (estimativa de 309,34 milhões de caixas, sendo cada caixa com 40 quilos) e no gado de corte (tendo o maior rebanho comercial do mundo e o segundo em quantidade de cabeças, atrás da Índia). Fator esse que, desde a década de 1970, destacou-se pelo seu amplo recebimento de recursos nacionais e estrangeiros com a conquista do Centro Oeste e o processo de alcalinização do solo e produção da cana de açúcar.

Hodiernamente, no processo de crescimento da produção de commodities, verificamos a primazia do Ministro da Agricultura e Abastecimento Carlos Fávaro, em sua visita à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, no mês de agosto de 2023, para promover a produção sustentável no Agronegócio Brasileiro e, com isso, obter novos investidores e parceiros internacionais. Cabe ressaltar que o comércio de carne no Oriente Médio possui uma peculiaridade acerca do sistema de corte: seja o corte Halal para os árabes, seja o Kosher para os judeus, sendo o Brasil um especialista nessas áreas, pois observa e respeita as questões religiosas.

Investimentos
Doutor Vítor Monteiro

Segundo informações do Ministério da Agricultura, o Ministro vem realizando uma agenda internacional de fomento à intensificação da produção sustentável no Brasil, visando atrair investimentos estrangeiros de fundos soberanos para ações de sustentabilidade ambiental, como a recuperação de áreas de pastagens de baixa produtividade, o que reflete na captura de carbono e na produção de mais alimentos sem desmatamento.

Nesse sentido, tanto os grandes quanto os pequenos produtores brasileiros sairão beneficiários com os aportes estrangeiros e com a abertura de novas linhas de crédito promovidas pelo governo e é neste contexto que a VINDIMA Crowdfunding buscará auxiliar os seus parceiros agrícolas do norte do Estado do Rio de Janeiro a buscarem suas quotas bem como promover a distribuição em centros de processamento, restaurantes e mercados, tudo para fornecer produtos da melhor qualidade ao mercado consumidor.

Na Arábia Saudita, a agenda de Fávaro inclui encontro com o ministro do Meio Ambiente, Água e Agricultura, Abdulrahman Al-Fadley, no qual programa de negócios com seminários e reuniões com empresas sauditas. A delegação também se reunirá com a Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA – sigla em Inglês).

Investimentos
Fundo de Abu Dhabi para Desenvolvimento

Nos Emirados Árabes Unidos, a programação observará reuniões com o Abu Dhabi Fund for Development (ADFD – sigla em Inglês), os fundos de investimento Abu Dhabi Investment Authority (ADIA – sigla em Inglês) e Abu Dhabi Investment Council, um seminário de negócios com a Câmara de Comércio e Indústria de Abu Dhabi (ADCCI – sigla em Inglês), e uma reunião com representantes da empresa de agronegócio Al Dahra.

O Ministério da Agricultura do Brasil informou que levou o grupo de empresários à missão dada a retomada dos laços fraternos e das boas relações diplomáticas entre o Brasil e o mundo árabe tendo como eixo primordial o fortalecimento de parcerias, a cooperação técnica e a ampliação do fluxo comercial entre os países.

“Os grupos empresariais participantes da missão poderão demonstrar aspectos de suas áreas de atuação e potencialidades de mercado”, informou o ministério. Arábia Saudita e Emirados foram, nessa ordem, os principais destinos das exportações brasileiras no acumulado deste ano até junho entre os mercados árabes.

Os sauditas importaram US$ 1,6 bilhão em produtos brasileiros no período, principalmente produtos do agronegócio: aves, açúcar, complexo soja, milho e trigo. Já os Emirados importaram US$ 1,4 bilhão, tendo também como principais compras itens do agronegócio, como aves e açúcar.

Os Emirados Árabes Unidos estão entre os maiores investidores internacionais no Brasil, com cerca de US$ 5 bilhões em investimentos, com a presença de grandes empresas dos Emirados como Mubadala, maior investidor dos Emirados no Brasil, DP World, Emirates Airlines, First Abu Dhabi Bank , Yahsat e outros.

Pelas perspectivas internas, os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisaram de 11,6% para 13,2% a estimativa de crescimento para o setor agropecuário em 2023. A justificativa pela alta acima do esperado no primeiro trimestre do ano, comparando a previsão com o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a revisão para cima da produção de bovinos e de culturas com peso expressivo no valor adicionado da lavoura, como a soja.

De acordo com dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o setor agropecuário cresceu 18,8% no primeiro trimestre deste ano. A previsão do Ipea, feita em março, era de crescimento interanual de 13% também no mesmo período.

Essa diferença é justificada, entre outros itens, pela revisão positiva das estimativas para a produção de soja, cuja previsão de crescimento foi revisada de 21,3% para alta de 24%, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola mais recente do IBGE.

A produção de bovinos também apresentou resultado acima do previsto anteriormente pelo Ipea, com alta de 3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Outros destaques são a revisão nas estimativas de produção para cana-de-açúcar e milho, que tiveram crescimento revisto de 1,3% e 10,2% para 6,6% e 11,5%, respectivamente. Na pecuária, a produção de bovinos ganhou evidência e a estimativa anual para o segmento foi revista de 2,6% para 3,3%.

Sob essas positivas perspectivas, o agronegócio brasileiro em 2023 irá obter novos recordes e a VINDIMA tem o orgulho de ser uma Plataforma de Investimentos colaborativos em agronegócios sustentáveis, buscando promover a aproximação entre o produtor agrícola, os centros consumidores e os investidores.

 

*Doutor Vitor Monteiro é advogado especializado em direito tributário e constitucional, formado pela UFRJ, com pós-graduação em relações internacionais pelo Curso Clio Internacional e em Comércio Exterior pela Fundação Aduaneiras. Atualmente faz mestrado em política e gestão estratégica na UFF.

 

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