sexta-feira, 12 abr, 2024

AGRO

Carne do Pampa alia saúde e sustentabilidade

Carne

Também conhecido como Campos do Sul ou Campos Sulinos, o bioma Pampa ocupa uma área de 176,5 mil Km² (cerca de 2% do território nacional) e é constituído principalmente por vegetação campestre (gramíneas, herbáceas e algumas árvores). No Brasil, o Pampa está restrito ao estado do Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território gaúcho. Os Campos da Região Sul do Brasil são denominados como “Pampa” por conta do termo de origem indígena para “região plana”.

Trata-se de um bioma partilhado. Ele se estende pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai, ocupando, assim, uma área total de 700 mil quilômetros quadrados.

A região é de clima temperado, com temperaturas médias de 18°C, formada por coxilhas onde se situam os campos de produção pecuária e as várzeas que se caracterizam por áreas baixas e úmidas. A região sul tem na pecuária uma tradição que se iniciou com a colonização do Brasil.

 

INDICAÇÃO GEOGRÁFICA – SELO “DOC”

 

O Pampa gaúcho da Campanha Meridional – com registro de Indicação Geográfica no INPI nº 200501 – Indicação de Procedência/2006, encontra-se dentro da área de maior proporção de campos naturais preservados do Brasil, estimada em 30.000km² abrangendo 11 municípios do Sudeste gaúcho de altitude inferior a 500 metros, é um dos ecossistemas mais importantes do mundo. Seu bioma possui características únicas. Uma delas é a presença de grandes campos de gramíneas (também conhecidas como capins, gramas ou relvas), com 450 espécies dessas plantas espalhadas pela região.

 

Bioma

 

Esse cenário foi encontrado pelos primeiros seres humanos que habitaram a região Sul do Brasil, há cerca de 12 mil anos, e continua sendo a cara do Pampa atual. Mas, por ser tão antigo, o bioma possui grande variedade de espécies e paisagens. Embora seja famoso pelos campos, o Pampa abriga também florestas nas margens dos rios, arbustos, leguminosas (150 espécies), bromélias e até cactos (70 tipos). Na vegetação diversificada, vivem, é claro, centenas de espécies animais.

 

COMEÇO DA OCUPAÇÃO DOS PAMPAS

 

A ocupação do Pampa para atividades econômicas começou com a chegada dos espanhóis e dos portugueses à região. Desde o século XVII, há criações de gado por lá. Os campos pareciam, aos olhos dos exploradores, boas pastagens naturais! Por sorte, em vez de prejudicar a vegetação, a presença do gado permitiu a sua conservação: a ação dos animais que pastam é benéfica para a manutenção das principais espécies de gramíneas e leguminosas do bioma. Parece um jeito perfeito de unir atividades humanas e conservação da natureza,

 

Os campos do Pampa contribuem muito para a absorção de carbono da atmosfera e o controle da erosão. No bioma Pampa, há mais de 3 mil espécies vegetais, muitas delas só ocorrem nessa região, bem como várias espécies da fauna, que dependem dos campos para a sua manutenção.

 

Bioma

 

O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. Paisagens naturais caracterizadas pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, entre outras.

 

CARNES MAIS NUTRUTIVAS E SAUDÁVEIS

 

A carne de bovinos criados livres no Pampa é mais saudável do ponto de vista nutricional. Além do importante fornecimento de nutrientes como ferro e vitaminas do complexo B, a carne desses animais apresenta maiores teores de ômega 3, se comparada aos criados em confinamento. As pesquisas que comprovam isso são referenciadas pelo Laboratório de Ciência e Tecnologia de Carne da Embrapa Pecuária Sul, sob a liderança da pesquisadora Élen Nalério, e mostram que a carne produzida nos campos naturais do bioma Pampa, tem perfis de gorduras benéficos aos consumidores.

“No Pampa, a alimentação dos animais, composta em sua maior parte pela rica variedade dos pastos naturais, dá origem a um produto com perfil de gordura mais saudável, já que possui mais ômega 3 do que ômega 6”, explica a pesquisadora. É no campo que quase tudo acontece, com a alimentação do animal cumprindo papel determinante nesse processo.

“O sistema de criação e terminação do animal interfere diretamente nas características da carne. Entre um extremo, de produção extensiva, somente com pastagens, até o outro extremo, de confinamento total, com alimentação por grãos, há a formação de produtos totalmente diferentes”, complementa.

Essa diferença se dá não apenas no tipo de gordura formada.

“Os bovinos são animais naturalmente prontos para fazer a digestão de fibras, de pasto. Para fazer a digestão de grãos, eles precisam passar por uma adaptação. Essa variação de alimentação faz com que sejam formadas gorduras totalmente diferentes, e isso interfere também no sabor e no aroma do produto”, ressalta a pesquisadora.

Enquanto a carne produzida nos campos tem uma cor viva e gordura mais amarelada, a de confinamento é mais pálida e possui gordura mais branca.

“O pasto tem carotenoides, que conferem a cor amarela à gordura. Já a cor da carne sofre influência de maior ou menor presença das mioglobinas. O animal no pasto caminha mais, e precisa oxigenar a musculatura, o que aumenta o teor de mioglobina e origina a cor vermelha mais intensa na carne”, acrescenta.

A pesquisadora ressalta em seu trabalho que não há como afirmar que a carne produzida no Pampa é melhor, uma vez que a avaliação envolve diversos fatores subjetivos.

“No entanto, podemos garantir que ela é diferenciada por vários motivos. Um deles é que a alimentação do gado nos campos nativos pode formar um tipo de gordura com melhor qualidade nutricional, que é uma característica que tem despertado grande interesse do público. O perfil lipídico dessa carne é comprovadamente mais saudável. Isso é um diferencial importante que pode e deve ser trabalhado como oportunidade de valorização no mercado”, recomenda em entrevista à EMBRAPA PECUÁRIA SUL.

 

Bioma

 

APTIDÃO BEM DEFINIDA ATRAINDO NOVAS INICIATIVAS

 

Edmundo dos Santos Silva, Presidente do grupo HELFRIG AGROVIVA GLOBAL FOODS, aliado ao Diretor Financeiro Rodrigo Rocha e ao Diretor Comercial Jorge Furtado, comentam que foi por esse diferencial na qualidade da carne dos rebanhos bovinos e ovinos existentes no Pampa Gaúcho, que tomaram juntos a decisão de direcionar os investimentos do Grupo naquela região.

“Gado Angus e Hereford, você pode criar em qualquer parte do mundo, mas somente aqui temos a qualidade e o sabor que a vegetação nativa do Pampa proporciona, isso vai trazer ao consumidor de nossos produtos não apenas uma carne de qualidade, mas uma experiência gastronômica inigualável” comenta Furtado, promotor do Consórcio que formou o Grupo HELFRIG AGROVIVA, com o imprescindível apoio do experiente Conselheiro da Companhia, Hélio Alves, profissional com mais de 40 anos de atuação no mercado de proteína animal.

“Nosso projeto não visa somente o lucro na venda de carnes, é muito mais que isso. Buscamos uma verdadeira integração com os produtores, oferecendo apoio técnico especializado e valorização dos rebanhos locais. O produtor rural precisa ser valorizado, ele não é apenas nosso fornecedor, mas sim parceiro na construção de um ecossistema virtuoso” diz Rocha.

“Encontramos no extremo Sul do Brasil, onde as aptidões geográficas são absolutamente bem definidas, o local ideal para o desenvolvimento da plataforma AGROVIVA, especializada em integração de Arranjos Produtivos Locais a partir de suas vocações naturais. A meta é estarmos presentes em no mínimo 350 municípios brasileiros dentro de seis anos de maturação deste projeto, que começou a se estruturar em 2018”, projeta o diretor financeiro.

Soberania, prosperidade e Paz social, conquistada pela integração de empreendedores de pequeno e médio portes de todo o Brasil é um sonho viável, a partir de projetos bem estruturados e com ampla participação da comunidade empreendedora local, sintetiza Edmundo do Santos Silva, acreditando no potencial de crescimento do agro protagonizado por estes produtores bem integrados.

 

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